Pontos Chaves:
- Os protestos mortais que se seguiram apos eleições gerais de Outubro continuaram depois de, em Dezembro, o Conselho Constitucional de Moçambique ter confirmado a vitória do candidato do partido no poder. Centenas de pessoas morreram e milhares ficaram feridas na violência pós-eleitoral.
- A Igreja Metodista Unida continua a realizar cultos e a orar pela paz. Algumas actividades da igreja foram interrompidas.
- Os Metodistas Unidos são encorajados a não se envolverem em protestos violentos e a ajudarem e protegerem as crianças, os idosos e outras pessoas vulneráveis.
Os Metodistas Unidos em Moçambique estão a pedir orações e a encorajar os legisladores a procurarem a paz, uma vez que a agitação civil no país continua após as eleições gerais de Outubro
No dia 23 de Dezembro, o Conselho Constitucional de Moçambique confirmou a vitória do candidato do partido no poder, a Frelimo, Daniel Chapo, nas eleições presidenciais, o que suscitou protestos de grupos da oposição que afirmam que o escrutínio foi manipulado. Os observadores eleitorais internacionais, incluindo os dos Estados Unidos, citaram irregularidades significativas no processo de contagem dos votos, bem como uma falta de transparência durante todo o período eleitoral
Cerca de 350 pessoas, incluindo reclusos fugitivos de uma prisão de segurança máxima em Maputo, morreram e mais de 2.000 pessoas foram feridas por balas da polícia durante os motins.
Os manifestantes saquearam e danificaram edifícios privados e públicos, bloquearam estradas e pontes e ameaçaram cortar o fornecimento de eletricidade e gás. O encerramento das fronteiras terrestres em Maputo, Beira e Nampula provocou a escassez de produtos de primeira necessidade.
"Estamos a orar e esperamos que a actual agitação social e política não leve a uma fase catastrófica," disse Ezequiel Nhantumbo, membro da Igreja Metodista Unida de Escrivão Zunguze, nos arredores de Maputo.
Fundada em 1962, a Frelimo começou por ser um movimento nacionalista que lutava pela autodeterminação e independência de Moçambique. Situado na África Austral, Moçambique foi uma colónia de Portugal de 1498 a 1975. No entanto, a independência política foi breve. Em 1977, começaram as manifestações de agitação política. O país tem cerca de 35 milhões de habitantes, a maioria com menos de 40 anos.
"Aqui na província de Gaza, as coisas não estão bem," disse Laura Wetimane, que supervisiona três distritos: Gaza Sul, Centro e Leste. "Estamos gratos a Deus porque, quando falei com todos os pastores das igrejas locais, eles informaram que os cultos estão a decorrer normalmente."
A Reverenda Ana Rofina Daniel, que serve a Igreja Metodista Unida de Chonguene, disse que Chibuto é uma das vilas mais afectadas na província de Gaza.
"Os manifestantes queimaram muitas infra-estruturas aqui - o cartório notarial e de registo, a casa do comandante da polícia, a sede da comissão eleitoral distrital, o departamento de educação," disse ela.
Os manifestantes também atacaram escritórios da Frelimo e esquadras da polícia, barricando a estrada principal que liga o país ao norte e ao sul.
"Tive que voar de Cabo Delgado para Maputo um dia antes do meu voo programado porque ouvi dizer que as estradas estariam fechadas," disse Arlindo Jossias Sambo, um Metodista Unido que trabalha em Ninga, Cabo Delgado. Se não tivesse partido mais cedo, disse Sambo, teria ficado retido.
O Rev. Jacob Jenhuro, assistente administrativo da bispa na Conferência do Norte, disse que tiveram a sorte de realizar a sua conferência anual antes do início das restrições de mobilidade.
"Aqui na Beira," disse Jenhuro, "as coisas estão calmas. Felizmente, os nossos cultos de Domingo não foram afectados. Mas esta situação não é a mesma em aldeias como Buzi (e) Caia".
Na província de Inhambane, os protestos continuam, disse o Reverendo Filimão Punguane Vilanculo, director de finanças e administração. "São visíveis focos de protestos na Maxixe, Lindela, Cumbana, Inharrime, Jangamo e noutros pontos da província," disse.
Em resposta, a igreja está a realizar cultos e a orar pela paz e pela construção da paz. A igreja está a encorajar os seus membros a não se envolverem em protestos violentos e a ajudarem e protegerem as crianças, os idosos e outras pessoas vulneráveis. Os Metodistas Unidos também estão a exortar o chefe de Estado a encontrar formas de conversar com os líderes da oposição para estabelecer um ambiente pacífico no país.
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"Percorremos um longo caminho em busca de paz, estabilidade e respeito pelos direitos humanos desde que alcançámos a independência nacional em 1975, mas agora é um caos complete," disse Ezequiel Marcos Nhantumbo, Coordenador da Iniciativa de Moçambique.
A iniciativa, uma parceria entre a Área Episcopal de Moçambique e a Conferência do Missouri dos EUA, tem contribuído para o crescimento da igreja e da comunidade em Moçambique há mais de 30 anos. Vários programas da iniciativa estão em perigo, disse Nhantumbo, observando que os poços de água potável aguardam a conclusão porque as matérias-primas não podem ser transportadas de fornecedores dentro e fora do país.
"O nosso país sobreviveu a guerras de resistência, de libertação, uma guerra civil, à instabilidade armada, ao terrorismo na província de Cabo Delgado," acrescentou Nhantumbo. "Agora, sete eleições presidenciais democráticas foram caracterizadas como não livres, não transparentes e cheias de injustiças, e tudo isso levou-nos a uma fase caótica.
"Esta situação irá potencialmente afectar todos os nossos programas ministeriais (e) serviços e todas as actividades da igreja."
O Bispo da Área de Moçambique, Joaquina Filipe Nhanala, disse que a segurança dos membros da igreja é a principal prioridade.
"Precisamos de preservar a segurança e a integridade dos nossos delegados, dos membros da igreja e do povo," disse Nhanala, numa reunião de emergência virtual com o gabinete no mês passado.
A Conferência Anual de Moçambique Sul realizou-se de 19 a 22 de Dezembro em Chicuque, depois de os protestos terem abrandado um pouco após dois adiamentos
"O veredito do Conselho Constitucional de 23 de Dezembro alimentou protestos mortais em todo o país," disse o Rev. Uinge Guirruta, director dos ministérios conexionais na Conferência de Sul de Moçambique.
"Apenas dois dias após a confirmação dos resultados eleitorais... mais de 1.500 reclusos fugiram da prisão de máxima segurança de Maputo," disse Guirruta. Mais de 30 destes reclusos foram mortos a tiro, o que enfureceu ainda mais os manifestantes no país.
As cidades de Maputo, Matola e os seus arredores já não são refúgios seguros, acrescentou.
"Passámos a noite a patrulhar os nossos bairros," disse Guirruta. "Em algumas zonas, os reclusos que fugiram da prisão estavam a causar problemas e insegurança, e as pessoas decidiram defender-se formando grupos de vigília para garantir a segurança das nossas casas e famílias."
O líder da oposição, Venâncio Mondlane, deu um "período de graça", durante o qual os manifestantes se acalmaram e estão à espera de saber quando é que ele vai convocar aquilo a que chamou "Fase Ponta de Lança".
A Igreja Metodista Unida em Moçambique continua a realizar devoções diárias e a encorajar os membros da igreja a promover a paz e a evitar protestos.
*Sambo é correspondente Lusofono em África das Noticias da MU.
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